Rita de Cássia Guimarães Heinzen

Sou Rita de Cássia, professora alfabetizadora há 40 anos. Aposentada da rede estadual de Santa Catarina, não me habituei à vida de “inativa”. Após 4 meses de aposentadoria retornei ao trabalho como ACT da rede municipal e contratada na rede particular. Comecei minha vida profissional em 1976, aos 17 anos, na cidade de Anitápolis, interior de Santa Catarina.

A minha experiência com o lúdico em sala de aula é antiga, muito antiga. Vem da década de 60, quando frequentei os meus primeiros anos escolares, onde encontrei Zélia (1º ano) e Adir (3º ano), professores que tiveram forte influência sobre mim se refletindo na minha prática profissional.

Zélia, jovem, alegre, com unhas sempre bem pintadas de vermelho, inovadora demais para a época (1964), o que era uma alegria para nós e uma dor de cabeça para a direção: muita música, recortes de revista ( O Cruzeiro), passeios, desenhos no caderno, alegria. Meu primeiro livro? A inesquecível cartilha “Caminho Suave”.

Com o professor Adir aprendi a amar e valorizar nossos poetas e cantores da época. Aos 8 anos já conhecia e gostava de Olavo Bilac, declamava Canção do Exílio, cantava Rancho de amor à Ilha, Lampião de Gás, Luar do Sertão. Aprendíamos essas músicas e poemas em aulas muito divertidas e engraçadas. Esses professores lecionaram na década de 60, auge da ditadura militar, Escola tradicional, mas os encontrei nos livros de Paulo Freire, nos textos de Vygotski, nas experiências de Freinet. Foram, como esses pensadores, inovadores, persistentes, corajosos. Tinham a visão futurista de uma prática pedagógica lúdica, afetiva, alegre.

Tornaram-se inesquecíveis para mim. Fizeram-me amar e encantar-me pelo magistério. Fizeram-me professora.
Atualmente a criança se depara com cidades, praças, jardins e shoppings modernos, apenas para olhar e admirar, não para correr e brincar como antigamente. Muitas vezes quando encontra um espaço com grama se depara com a placa “ Não pise na grama”. Chega cada vez mais cedo à escola e mais cedo se vê “refém” de rotinas: hora de entrar, hora do lanche, hora de dormir… A informática, nos dias atuais, muitas vezes tornam nossas crianças em “sozinhos na multidão”.

Percebi portanto, que apesar de toda a tecnologia, os olhinhos das crianças ainda brilham ao ouvir um conto de fadas, uma história contada por um fantoche, um teatrinho com dedoches. Foi acreditando que o lúdico deve entrar na sala de aula junto com o professor e as crianças, que nasceu Dona Letrinha. Eu a idealizei jovem, tranquila, bem brasileira (por isso o sobrenome Silva), morando em um local de muita amizade e companheirismo.

O projeto era modesto, apenas para o âmbito da sala de aula. Aos poucos, porém, Dona Letrinha tornou-se uma “aluna” a mais. As crianças a incluíam em todas as atividades escolares e sua “opinião” era sempre requisitada. E Dona Letrinha respondia, ora pela voz da professora, ora pela voz de alguma criança da sala.

Então a ideia de editar o livro foi tomando forma e em setembro de 2016 foi feito o lançamento, superando todas as expectativas. O livro Dona Letra do Alfabeto e Silva, podia ser adquirido em duas versões: com ou sem a bonequinha Dona Letrinha. Venceu a versão com a boneca. Não apenas meninas, mas meninos que conheciam Dona Letrinha, também desejavam a “amiguinha”, fato que surpreendeu muitos pais.
Dona Letrinha e o livro Dona Letra do Alfabeto e Silva favorece um aprendizado mais leve e oferece à criança e ao professor oportunidades de interação e troca de afeto entre ambos.

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